As ruas da Cidade Alta estão vazias. Ou ao menos parecem. São 19h30 e o movimento que a torna agitada já passou. Uma senhora vende frutas em frente a loja fechada. Outra vende espetinhos. “Tantas contas para pagar…” suspira ela.
Mas poucas pessoas ainda permanecem na rua. Uma delas, uma moça alta, morena, com pouco menos de uma blusa e um short minúsculo, vaga incerta por uma calçada. Para, olha para os lados, olha para algum infinito que não vemos. Anda mais uns passos e por fim encontra um conhecido. Bebe cachaça no gargalo da garrafa. Depois desaparece entre os becos da cidade que guardam histórias de poetas de outrora.
Mais meia hora depois e parece que o pouco de agitação que ainda sobrava foi-se. Nem vendedores, nem vigias, nem moças perdidas no espaço. Só velhos papéis sendo levados pelo vento. E a noite e o vento são os grandes protagonistas do lugar. O último gari recolhe as folhas para ir embora para casa…
As casas históricas que ainda resistem ao tempo e possuem moradores, fecham as portas. Lugares assim não parecem muito confiáveis depois que todos vão embora.
Recordo com isso uma foto da antiga Cidade Alta, nos tempos áureos dos cinemas e do Grande Ponto. Quando a Deodoro da Fonseca e a Princesa Isabel eram tomadas de casas, com moças e rapazes ansiosos pelos lançamentos do cinema. Ou mesmo senhoras e senhores sentados nas calçadas tomando o sereno da noite.
Por um momento a cidade toma fôlego e parece voltar. Depois ela apenas silencia, o que resta quando as portas se fecham e apenas o vento noturno canta ode a sua estada. Um sentimento de tristeza ou apenas uma sensação de nostalgia?
Lela esta lindo!!!!!!!!!!!!!!!