Já é carnaval. E, como se não fosse, um sentimento de nostalgia me invade. Como se as horas fossem momentos quase infinitos, que demorassem a passar quando a gente mais precisa que elas voem. Como se o mundo conspirasse contra.
O Brasil inteiro pula carnaval. Ou pelo menos 95% de todos nós. E eu, cá estou, revirando lembranças velhas, vendo fotos de quem se diverte na rua. Passo estes momentos – e provavelmente passarei até a quarta-feira de cinzas – lembrando apenas do passado.
E se por um lado as pessoas estão indo para Caicó pensando exclusivamente em folia, eu cá estou pensando apenas na minha mãe e no meu pai e numa vontade imensa de ter colo. As lembranças também surgiriam lá já que é a única coisa que sobra quando seu marido não quer saber de modo algum de folia.
Porque folia tem em todo lugar. E chega um momento da vida em que você pede uma dose maior de sossego com pitadas de festa. Estou assim… E quando as pitadas de festas deveriam surgir, eis que tudo acaba apenas em fumaça.
Sim, o mundo parou com o carnaval. Estou aqui sem ninguém para conversar, sem sono… E parece que quem não brinca não é lembrado. Parece não, a máxima é verdadeira.
Vou continuando… Felizmente trabalho dias santos e feriados e isso toma um pouco o meu tempo ocioso de folia. Mas mesmo assim a tristeza insiste em chegar. Porque ela não dispensa carnaval nem datas afins. E está me invadindo como nunca.
Por certo entrarei madrugada adentro como em outros carnavais. O problema desse é que meus amigos já não voltam para casa à meia noite. Então vou por ali vê se encontro um vídeo ou se pesquiso novas histórias. Quem sabe eu precise me reinventar para pode novamente viver?